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quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Património medieval em perigo

A  Quinta de São Paulo "esconde" no seu interior um verdadeiro  tesouro
O antigo convento de São Julião, fundado em 1400 por religiosos paulistas, na zona da Carapinha, em Alenquer, atingiu um estado de degradação acentuado e, se não forem tomadas medidas, a sua recuperação pode tornar-se inviável, devido ao abandono a que está sujeito. A denúncia é do arqueólogo alenquerense Miguel Cipriano Costa, que apela ao novo proprietário do conjunto medieval, bem como à Câmara de Alenquer e à Junta de Freguesia de Triana para que preservem o vetusto edifício, recomendando ainda a instauração de um processo de classificação daquele património.
Também conhecido por convento dos paulistas, este edifício religioso já existia em meados do século XV, tendo sido construído junto a um dos traçados viários de sentido Sul-Norte, que partindo de Alenquer, se dirigia na direcção de Abrigada. Certamente que não só o acesso viário potenciou as razões da sua localização, visto que a riqueza aquífera e a fertilidade dos solos ainda hoje são bem conhecidas das gentes locais.
Com a alienação dos bens da igreja na primeira metade do século XIX, este espaço foi parar às mãos de privados, passando a ser conhecido por “Quinta de São Paulo”. No entanto, apesar da feracidade dos solos circundantes ao antigo convento, a quinta ficou conhecida, essencialmente, pelo funcionamento de uma instituição bancária nas suas instalações: pelos empréstimos que disponibilizava e pela penhora dos bens dos incumpridores menos afortunados.
Na atualidade, este espaço cultual e rural situado nos arredores da vila de Alenquer entrou numa nova fase com a mudança de proprietário por penhora de bens. Por ironia da história, o presente proprietário é de novo uma instituição bancária, que tomou as medidas que julgou úteis e necessárias, providenciando para que os edifícios fossem fechados, para que estes não fossem alvo de vandalismo. “No entanto, as medidas aplicadas não foram eficazes, e suscitaram um surto de vandalismo e furto aleatórios, que colocam em perigo o futuro do edifício medieval”, sublinha Miguel Cipriano Costa, defendendo que “é urgente que se tomem medidas, mesmo tendo em conta a actual degradação paisagística do conjunto, para que o edifício, num conjunto onde se inclui a igreja, claustro e edifícios anexos, seja preservado”. 

Notícia desenvolvida na edição de 15JAN2013 do "Nova Verdade"

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