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quarta-feira, 26 de junho de 2013

Mulher que matou filhos volta a não conseguir justificar crime

O julgamento de Kely Oliveira prossegue a 12 de julho, no Tribunal de Alenquer
A mulher acusada do homicídio dos filhos menores em Alenquer voltou hoje a não conseguir explicar em tribunal porque matou as crianças, quando queria impedir que, após uma separação do casal, ficassem com pai.
"Foi o que pensei fazer na altura. Estava muito doente", disse a arguida à presidente do coletivo de juízes, Isabel Calado, sem conseguir justificar de novo o ato, à semelhança do que aconteceu na primeira sessão do julgamento no Tribunal de Alenquer, em que explicou que alegou querer separar-se e vingar-se do pai das crianças e da avó paterna, com o objetivo de não ficarem com os filhos após uma eventual separação conjugal.
Na mesma sessão, o progenitor explicou que não ameaçava a arguida, mas antes a sensibilizava para o facto de que podia não ter condições para ficar com as crianças, já que estava desempregada e em situação irregular no país, caso viesse a separar-se dele.
Apesar de a sessão ser destinada a ouvir as restantes oito testemunhas de acusação, a juíza confrontou hoje a arguida, de 31 anos, com as declarações prestadas na sessão anterior e com o facto de que, a 19 de dezembro.
O coletivo de juízes aproveitou também para questionar a mulher por ter derramado algumas lágrimas apenas enquanto o ex-companheiro depunha e não quando explicou ao tribunal como procedeu no dia em que decidiu concretizar os crimes.
Em resposta, a arguida afirmou que chorou quando o ex-companheiro afirmou que "nunca lhe [tocou] com um dedo", desmentindo os factos, e ao lembrar-se do que ambos viveram.
Na sessão de hoje, a avó das vítimas confirmou que a arguida lhe ligou, na noite do crime, a dizer que tinha matado os meninos. A mulher explicou ainda que nada tinha contra a nora, considerando-a até uma "mãe galinha", mas que não frequentava a sua casa tantas vezes como gostaria porque, apesar de "trabalhar para tudo fazer pelo futuro dos meninos", sentia que “ela não gostava muito das visitas", alegadamente por reconhecer que "a sentia um pouco adoentada".
De acordo com a acusação do Ministério Público, a imigrante - que, segundo os peritos, estaria com uma depressão pós-parto - aproveitou o facto de estar sozinha em casa com os dois filhos, fechou-os no quarto, deitou-os na cama e pôs fogo àquela divisão. Ateou fogo a um sofá com um isqueiro, fez as malas e, antes de se pôr em fuga, deixou uma carta ao companheiro e pai das crianças, a responsabilizá-lo.
Telefonou à sogra a dizer que "pegou fogo à casa e [que] os meninos morreram", tendo a familiar alertado de imediato a GNR e os bombeiros, vindo a confirmar-se as duas mortes. No dia seguinte, foi detida pela Polícia Judiciária, após se entregar na GNR de Castanheira do Ribatejo.
A 12 de dezembro, tinha também fechado os filhos no quarto e posto fogo ao sofá, mas acabou por apagar as chamas.
Já em agosto, numa praia em Sesimbra, começou a discutir com o companheiro e abandonou o local, levando consigo um dos filhos. Como a criança estava descalça, "chorava compulsivamente" e "caiu diversas vezes", sendo de seguida puxado pela mãe. Chegou a bater com a cabeça num poste e sofreu "escoriações em ambos os pés", motivando a intervenção da GNR, refere a acusação.
O julgamento continua no dia 12 de julho.

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